Câmara aprova acordo União Europeia Mercosul: o que muda para importação e exportação das empresas brasileiras
Por que essa votação mexe com sua margem e seu time to market
No dia 25 de fevereiro de 2026, a Câmara dos Deputados aprovou o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, e o texto agora segue para o Senado.
Para quem lidera supply chain, compras, exportação ou operações, isso não é “notícia de Brasília”. É um sinal claro de que o jogo pode mudar em tarifas, requisitos de compliance, previsibilidade logística internacional e acesso a mercado. E quem se preparar antes tende a capturar vantagem.
O que foi aprovado e o que ainda falta para valer de verdade
O que passou na Câmara foi o acordo comercial provisório (ITA), tramitando como PDL 41/26, com cronogramas de redução tarifária que podem chegar a 18 anos em alguns itens.
Pontos práticos para o seu planejamento:
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Brasil: após a Câmara, o texto vai ao Senado.
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Mercosul: para o acordo produzir efeitos plenamente, os demais países do bloco também precisam ratificar em seus Congressos.
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União Europeia: há resistência política e discussão jurídica. O Parlamento Europeu encaminhou o tema para a Justiça da União Europeia, o que pode atrasar.
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Possível vigência provisória: existe a leitura de que o ITA pode entrar em vigor provisoriamente se houver a ratificação por um primeiro país do Mercosul.
Em outras palavras: a chance de mudança é real, mas a execução exige engenharia regulatória e operacional. E é aí que muita empresa perde dinheiro por falta de preparação.
O tamanho da oportunidade: acesso a mercado e redução de tarifas
O acordo conecta dois blocos que, juntos, somam 718 milhões de pessoas e um PIB estimado de US$ 22,4 trilhões.
Do lado europeu, o compromisso divulgado é forte: a UE eliminar tarifas de importação sobre cerca de 95% dos bens, que representam 92% do valor das importações europeias de bens brasileiros, em até 12 anos.
Para empresas brasileiras, isso se traduz em três frentes de impacto:
1) Exportação: chance de ganhar preço ou margem
Se você exporta (ou quer exportar) para a UE, a redução tarifária pode:
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melhorar competitividade de preço,
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destravar categorias que hoje sofrem com tarifa,
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exigir um “dever de casa” mais sério em regras de origem e documentação.
2) Importação: insumos e máquinas podem ficar mais competitivos
Para quem importa da UE, o tema vira estratégia de custo total:
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insumos industriais,
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bens de capital,
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tecnologia e componentes.
E isso afeta diretamente prazo, negociação e planejamento de desembaraço aduaneiro.
3) Concorrência: quem opera lento perde espaço
Tarifa menor aumenta concorrência. Se o seu lead time é longo, seu compliance é reativo e seu processo é “manual”, você pode ser comprimido em margem por players mais eficientes.
Onde mora o risco: não é só tarifa, é compliance, rastreabilidade e regra do jogo
Aqui é onde muita operação tropeça. Acordo comercial nunca é só “zerar imposto”. Ele impõe padrões, exceções e critérios.
Sustentabilidade e rastreabilidade na cadeia
O texto aprovado menciona incorporação de normas europeias de sustentabilidade e rastreamento da cadeia de suprimentos, relacionadas ao ato europeu sobre matérias-primas críticas (CRMA).
Na prática, isso pode exigir do exportador (e também do importador que revende) mais controle sobre:
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origem de matérias-primas,
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documentação de cadeia,
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evidências de conformidade.
Minerais: imposto de exportação com regra específica
Um detalhe relevante para empresas de mineração e cadeia de minerais críticos: o acordo mantém o direito de o Brasil aplicar imposto de exportação, com condições e limites para a UE (incluindo teto de 25%).
Automotivo: prazos longos e salvaguardas
No setor automotivo, os prazos variam bastante:
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veículos a combustão: eliminação tarifária em 15 anos,
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eletrificados: 18 anos,
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hidrogênio: 25 anos com carência,
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novas tecnologias: 30 anos com carência.
E há salvaguardas com possibilidade de suspender cronogramas se houver dano à indústria.
Indicações geográficas e uso de nomes
O acordo prevê reconhecimento e proteção de Indicações Geográficas e traz uma proteção para “usuários prévios” em alguns termos. Também lista 37 IGs brasileiras que passam a ser reconhecidas na UE (ex.: Canastra, Cerrado Mineiro, Linhares, Farroupilha).
Isso pode impactar rotulagem, marketing e até cadastro de produtos, dependendo do seu portfólio.
Checklist executivo: como se preparar sem esperar “entrar em vigor”
Se você quer transformar essa notícia em ganho real, recomendo um plano simples e objetivo:
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Mapeie NCM e portfólio: quais itens você importa/exporta e quais seriam os mais sensíveis a tarifa.
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Simule cenários de custo total: tarifa, frete, seguro, armazenagem, impostos internos, variação cambial.
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Valide regras de origem: produto “parece brasileiro”, mas atende critérios? Isso decide se você captura o benefício.
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Reforce documentação e compliance: descrições, classificações, licenças, certificados e trilha de auditoria.
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Revise Incoterms e desenho logístico: onde faz sentido consolidar, onde o lead time derruba a vantagem.
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Audite fornecedores e cadeia: especialmente se houver exigência de rastreabilidade e sustentabilidade.
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Prepare o time para execução: desembaraço aduaneiro e logística internacional precisam de processo, não improviso.
Se você depende muito de insumos da China, este é um bom momento para avaliar diversificação e mitigação de risco geopolítico e de supply chain, sem comprometer custo total.
Como a MD Trading ajuda: do impacto por item à operação rodando
A diferença entre “acordo aprovado” e “margem no caixa” é execução. A MD Trading atua de ponta a ponta para reduzir risco e acelerar resultado em comércio exterior:
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Estratégia e viabilidade: análise por NCM, cenários de custo total e priorização de itens.
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Sourcing e negociação: qualificação de fornecedores, comparativos e estruturação comercial.
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Compliance e documentação: regras de origem, classificação, dossiê documental e governança para auditoria.
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Logística internacional: desenho de rota, consolidação, seguro, prazos e previsibilidade.
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Desembaraço aduaneiro: preparação e coordenação para reduzir exigências, atrasos e custos indiretos.
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Acompanhamento e KPIs: visibilidade de ponta a ponta e melhoria contínua.
Se a sua empresa quer entender “o que muda para mim” com rapidez, o caminho é transformar o acordo em um plano por produto, por rota e por fornecedor.
Quem se antecipa captura a vantagem
A aprovação na Câmara é um marco, mas o ganho não é automático. O upside existe, porém ele vai para quem domina detalhes: regras, prazos, documentação, cadeia e execução logística.
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